Como canalizar a energia quando chega a hora de ajudar a sua equipa

Por o 1 Setembro 2020

Richard Hackman e eu aproveitámos os muitos estudos de equipas que realizámos ao longo dos anos para criar uma avaliação que nos permita captar as influências mais poderosas na eficácia das equipas. Demos-lhe o nome de Team Diagnostic Survey (TDS) e testámo-lo com centenas de equipas de várias tipologias. Mede 6 Conditions for Team Effectiveness, que, no seu total, representam 80% da variação no desempenho de uma equipa.

O TDS permitiu-nos formular uma heurística bastante útil para identificar onde é que está a maior vantagem para ajudar uma equipa a tornar-se excelente.

Chamámos de “Regra 60-30-10”. A ideia passa pelo seguinte: imputar a maior parte da sua energia – 60% – onde ela terá maior impacto; o próximo passo mais energético – 30% – a gastar onde se irá construir a base sólida dos 60. Despenda os últimos 10% a trabalhar em tempo real para orientação do processo de equipa.

Então, o que são os 60?

Pré-trabalho. O pré-trabalho cria um ótimo design de equipa. Responde às perguntas críticas sobre como e quão bem é possível obter as 5 primeiras das 6 condições para a eficácia da equipa.

Equipa real: este tipo de trabalho precisa realmente de uma equipa? Posso formar um grupo estável de indivíduos e mantê-los juntos o tempo suficiente para que as pessoas possam aprender a trabalhar em conjunto de forma brilhante? Objetivo ambicioso: como transmitir a importância desta equipa de forma mais ampla? Que cenário posso criar para permitir que os outros vejam como será o sucesso? Pessoas certas: Posso juntar elementos que se caracterizem pelas suas task skills e pelo trabalho em equipa, de forma a atingir esses objetivos? Estrutura sólida: quais as normas e as práticas de trabalho que os ajudarão a ter sucesso? Contexto organizacional de suporte: quais os recursos que precisam? Como podemos recompensar a excelência da equipa?

Os 60% são trabalhos de design intencional. Quem entre nós trabalha com equipas pode ajudar inicialmente no pré-trabalho, através do coaching, bem como a ser uma caixa de ressonância para o líder da equipa. Tal deve ser feito antes da equipa ser formada. Por exemplo, vimos ao longo do tempo muitos CEO’s a assumirem que a sua “equipa” é constituída por todos os subordinados diretos; e que, depois, “lutamos” para articular o que esse conjunto de indivíduos deve fazer em conjunto, para além de seus trabalhos individuais. Podemos ajudá-los com a seguinte pergunta: ‘‘O que é que precisa por parte da sua equipa de liderança? Quem, entre os seus líderes mais seniores, tem o que é necessário para pensar na empresa como um todo e tomar decisões em conjunto com os colegas?”. As respostas a estas perguntas determinam quem é convidado para a equipa.

E os 30 o que são?

Lançamento. Os próximos 30% implicam dar vida ao design básico da equipa e ajudá-la a começar da melhor forma possível. Quando os elementos da equipa se reúnem, eles têm que se orientar, envolver-se coletivamente com o objetivo do grupo, formular um entendimento sobre como os elementos irão trabalhar juntos, o que cada um tem a oferecer.

Quando o lançamento é bem-sucedido, o líder ajuda um grupo a deixar de ser apenas uma lista de nomes, para se tornar numa equipa real e unida. Para aqueles que apoiam e desenvolvem equipas, um ponto de alavancagem poderoso é a capacidade de auxiliar um líder a estar bem preparado para um excelente lançamento de equipa e ajudá-la a ter conversas sólidas sobre seus propósitos – porque é que os stakeholders precisam que estas sejam ou se tornem numa equipa real e como é que podem aproveitar os recursos uns dos outros para atingir os seus objetivos.

E o 10 o que é? 

Coach. Os 10% finais são a aplicação de coaching. Apenas quando a equipa for bem concebida, com um processo de lançamento bem-sucedido, estão reunidas as bases para as outras 5 condições, e uma equipa pode realmente tirar proveito das excelentes intervenções nos seus processos de trabalho. E quando as cinco primeiras condições são bem estabelecidas, a nossa pesquisa mostra que as equipas são muito mais robustas – estão prontas a aceitar e a responder a todos os tipos de desafios. Conseguir um bom começo para uma equipa – ou reiniciar – é o que permite o nosso coach ou auto-coach de equipa, com o qual se espera que oriente rumo a uma trajetória cada vez mais positiva, que visa potenciar a excelência da equipa.

Muitos profissionais de desenvolvimento de equipas acham o conceito 60-30-10 desafiador para a sua prática, mas também tranquilizador. Isso permite-nos focar no nosso trabalho de forma mais eficaz, ajudar líderes e equipas a esclarecer objetivos comuns, alterar a composição das suas equipas ao abordar o objetivo, descobrir e reforçar normas saudáveis de conduta – e, às vezes, com o relançamento formal de uma equipa agora melhor “desenhada”. É também definidor de um percurso de sucesso quando uma equipa bem projetada está realmente pronta para o coach prático.

*Este artigo foi publicado originalmente na Link to Leaders.

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