Coaching num contexto de gestão de projetos

Por o 4 Dezembro 2017

O coaching é uma ferramenta de gestão muito eficaz, mas, no entanto, conheço poucos gestores de projetos que adotam um estilo de coaching ao liderar a sua equipa.

Coaching num contexto de gestão de projetos

A realidade é que muitos gestores de projetos não entendem o coaching e a grande maioria não teve qualquer formação na área. É necessário tempo e prática para melhorar as suas capacidades de coaching, mas quanto mais progredir, mais fácil será a gestão dos processos. As recompensas para o coach passam a ser a capacidade de conseguir mais através de outros (delegar) e trazer valor acrescentado ao negócio.

De acordo com Tim Gallwey no The Inner Game of Tennis, 1997, o coaching desbloqueia o potencial de uma pessoa de forma a maximizar o seu próprio desempenho. Ou seja, ajuda-o a aprender, em vez de o ensinar.

A partir deste ponto de vista, podemos considerar dois estilos de liderança, o diretivo e o não-diretivo:

  • A liderança diretiva consiste em dizer ao individuo o que precisa de fazer e como fazê-lo. O líder oferece soluções, ferramentas e técnicas para avançar. Esta estratégia é frequentemente utilizada quando existe um prazo importante, durante uma crise ou quando há um risco comercial significativo. Existe a possibilidade dos restantes elementos da equipa não se sentirem totalmente comprometidas com a solução fornecida pelo gestor do projeto.
  • A liderança não diretiva é quando o líder coloca questões a fim de ajudar as pessoas a encontrarem as suas próprias respostas. Esta metodologia contribuí para que os recursos possam analisar a situação sob diferentes perspetivas e traçar uma estratégia acerca do que é necessário de ser feito. O individuo é encorajado a desenvolver as suas competências e conhecimento enquanto está a executar as suas tarefas. Esta metodologia é utilizada com equipas de alto desempenho e recursos profissionalmente ambiciosos contribuindo para melhorar o seu crescimento e desenvolvimento pessoal.

Os benefícios do coaching num contexto de gestão de projetos são significativos, porque:

  • O coaching incentiva os membros da equipa a pensarem por si mesmos, o que gera um sentimento de capacitação. Desta forma, o gestor de projeto passa a ter uma maior confiança nas suas ações e decisões, que permitem pensar por si evitando uma dependência permanente e recorrente das suas chefias ou pares.
  • O coaching permite diversidade e garante que a equipa obtenha resultados por si própria, o que geralmente é mais eficaz do que se limitarem a seguir o caminho definido pelo gestor do projeto.
  • O coaching permite minimizar os problemas subjacentes à falta de competência. Por exemplo, deve desafiar os membros da sua equipa a pensarem sobre um problema e apresentarem soluções de resolução. Caso não respondam de forma razoável, vai ser possível questionar, porquê? Será que precisam de ganhar mais know-how ou existe a necessidade de trabalhar alguma ferramenta de desenvolvimento pessoal para poder encontrar as respostas?

Muitos dos gestores de projeto que são bons coaches, geralmente mudam o seu estilo de liderança quando estão sob pressão – quando os prazos são apertados, por exemplo. Nessas situações, muitos gestores de projeto agem em vez de fazer perguntas. Vão utilizar uma linguagem diretiva como “Faça isso … faça aquilo” ou “Deixe-me dizer-lhe como deve tratar esse problema”. Assim que a pressão é reduzida, os gestores de projetos geralmente retomam a um estilo de liderança mais construtivo, sabendo que a longo prazo se recorrerem ao coaching em vez de executarem por eles, todos serão beneficiados.

Na prática, é uma questão de equilíbrio e o coaching pode ser contraproducente se utilizado em excesso.

Existem alguns episódios de indivíduos recém-chegados ao coaching e que cometeram esse erro. Se o coaching é o único método utilizado durante o processo de comunicação com a equipa, começa a ser frustrante para o coachee (a pessoa que está a receber o coaching), o que pode ser contraproducente. A boa notícia é que quanto mais praticar um estilo de coaching enquanto gestor de projeto, mais fácil será saber qual é o adequado, como deve ser integrado na interação com as equipas e com elementos. Mesmo para bons coaches, em situações de pressão, pode ser excessivamente desafiador não “dizer” em vez de “pedir”.

Mas cuidado: só é possível aplicar o coaching a indivíduos que o aceitam voluntariamente. Se estes quiserem progredir e acreditar que têm espaço para melhorar. Sir John Whitmore, pioneiro no desenvolvimento de liderança e coaching, expressou sucintamente, a menos que o líder, o diretor ou o coach acreditem que as pessoas têm mais capacidade do que aquilo que realmente demonstram, não vai ser possível ajudá-las a trazer essa mais valia para o seu dia a dia. Devemos pensar nas pessoas no seu verdadeiro potencial e não ter apenas em consideração o contexto associado ao seu desempenho histórico.

Praticar o coaching com a equipa de projeto, especialmente se foi sujeito recentemente a um processo formativo e ainda existe uma natural inexperiência, vai contribuir para vir a desenvolver um projeto de sucesso. Recomendo coaching a qualquer gestor de projeto.


Autor: Alfonso Camón Bressel

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