O que é e o que não é o coaching

Por o 6 Outubro 2015

Pretendemos, através deste texto, iniciar um espaço de partilha acerca dos contornos e limites da intervenção de coaching (fortemente influenciado pela visão da ICF – International Coach Federation), distinguindo, como ponto de partida, o que é e o que não é coaching.


O que é e o que não é o coaching

 

Pretendemos, através deste texto, iniciar um espaço de partilha acerca dos contornos e limites da intervenção de coaching (fortemente influenciado pela visão da ICF – International Coach Federation), distinguindo, como ponto de partida, o que é e o que não é coaching.

 

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Definição de coaching

 

A ICF define coaching como uma relação de parceria profissional em que, através de um processo que apela à reflexão e à criatividade, se inspira alguém a maximizar o seu potencial pessoal e profissional.

 

Encontramos no coaching, como em mais nenhuma outra disciplina do conhecimento humano, uma impressionante variedade de abordagens, de processos e de técnicas e ferramentas e até de “escolas” (disciplinas ou corpos formais de conhecimento; ex. psicologia, linguística, filosofia, gestão, etc). Ao contrário das outras disciplinas, o coaching não tem um corpo de conhecimento homogéneo, podendo mesmo dizer-se que, por isso mesmo, não pode ser considerado uma disciplina. Este talvez possa ser mesmo considerado o seu principal traço distintivo. Assim, o coaching é essencialmente uma “prática”, ou práxis, constituindo-se, na sua própria base de existência, como algo completamente diferente ou até mesmo disruptivo.

 

Foi através da construção e desenvolvimento de três “documentos base ” que a ICF estabeleceu o domínio de intervenção do coaching e que funcionam, a nível global, como uma referência para o desenvolvimento da arte, da ciência e prática do coaching profissional, a saber:

 

 

O que é o coaching?

 

Há quem julgue que o coaching é sobre atingir objetivos. Não é! Coaching é sobre aprender a atingir objetivos, de forma autónoma, sustentada e promotora de auto-realização.

 

O enfoque ou objeto do coaching profissional, tal como na ICF o entendemos, não são tanto os objetivos mas antes aquele/a que os quer atingir. Por detrás dos objetivos, enquanto ponto de chegada, existe um sujeito e um caminho. O trabalho de um coach ICF é centrado neles:

  • No propósito do coachee – Mais do que o que quer atingir, importa trabalhar sobre para que quer ele/a o que quer atingir.
  • No seu ponto de partida – Mais do que compreender porque se encontra onde se encontra, importa compreender em que medida a situação em que se encontra o limita e/ou o potencia.
  • No que quer criar – Mais importante do que compreender os problemas que vive, é identificar minuciosamente o que quer construir para si e para quem o rodeia.
  • Em Quem quer ser no caminho – Mais importante do que identificar os diferentes caminhos e opções que tem pela frente, é identificar quem quer Ser nesses caminhos. Que “caminhante” quer Ser?
  • Na consciência que tem sobre o seu próprio potencial – Mais importante do que encontrar soluções, é auxilia-lo/a a descobrir uma forma sustentada de as criar.
  • Na sua autonomia, sustentabilidade e realização pessoal – Mais importante do que atingir determinados objetivos específicos, é aprender a usar o seu potencial pessoal e profissional para atingir qualquer objetivo em que se queira concentrar.
  • No seu desenvolvimento enquanto Ser humano – Finalmente, mais importante do que aplicar o seu potencial (em qualquer domínio previamente definido), é desenvolvê-lo.

 

 

O que o coach não é?

Por se ter transformado numa das mais poderosas buzzwords  do mundo dos negócios e também no domínio do desenvolvimento pessoal, tenho muitas vezes a sensação de que a palavra coaching tem sido utilizada para dar uma nova roupagem a muitos já antigos métodos de intervenção nestes domínios e que, apesar de muito conceituados, perderam à muito a atractividade do fator novidade. Analisemos alguns aspectos que distinguem o que não faz um coach

 

Mentor

No papel de mentor partilhamos a nossa sua experiência e conhecimento. Adoptamos por isso uma posição de conhecimento, experiência ou posicionamento superior. No coaching colocamo-nos num posicionamento de igual-para-igual e não partilhamos experiência ou conhecimento.

 

Facilitador

Como facilitadores, criamos dinâmicas promotoras da aprendizagem mas também passamos ferramentas, métodos e conhecimento. No coaching, criamos apenas dinâmicas não “incomodamos” a criatividade do nosso coachee com o nosso conhecimento, métodos ou ferramentas.

 

Psicólogo

Como resultado de ter participado em numerosos e intermináveis debates sobre esta distinção, salvaguardo que poderão ser encontradas maiores diferenças entre algumas “correntes teóricas” da psicologia, do que entre algumas dessas correntes e o coaching.

A psicologia desenvolveu-se, predominantemente, através da sua dimensão terapêutica, trabalhando essencialmente padrões do passado que não funcionam adequadamente e emoções intensas associadas a comportamentos não funcionais. No coaching não fazemos terapia e trabalhamos predominantemente sobre o futuro.

 

Conselheiro

Como conselheiros, criamos valor dando orientação, sugerindo ações e soluções. No coaching, desconhecemos por completo o que é melhor para o coachee e treinamos para nos mantermos nessa posição de respeitosa, consciente e útil ignorância.

 

Consultor

Como consultores, posicionamo-nos como especialistas numa determinada área e desenvolvemos processos e procedimentos em torno de uma solução previamente preparada. Em coaching só nos podemos preparar na nossa área de especialidade, o coaching.

 

Supervisor

Como supervisores, concentramo-nos no controlo de determinados processos, de acordo com requisitos previamente estabelecidos. Como coaches ICF, não estabelecemos processos fora do âmbito do próprio processo de coaching, comprometemo-nos “apenas” com a demonstração prática das “Competências Nucleares da ICF”, pelo menos, ao nível da nossa certificação.

 

Líder

Como líderes empresarias, gerimos objectivos organizacionais e o desenvolvimento das pessoas que os realizam, baseando as nossas orientações na cultura e standards organizacionais e legitimando a nossa influência através de uma linha de poder formal. Como coaches, não gerimos e não detemos poder formal.

 

 

Esperando ter contribuído para clarificar e distinguir o domínio de intervenção do coaching, pelo menos na dinamização de espaços de reflexão a este respeito, termino este texto, na expectativa de continuar a identificar, com a sua ajuda, elementos distintivos deste espaço tão precioso para o desenvolvimento humano. Aguardo os seus comentários, caro leitor.

 

 

 

Para saber mais sobre este tema, recomendamos a formação CEGOC Programa de formação de Coaches profissionais - Nível Inicial

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Augusto Pereira Desde 5 anos

grande materia

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    Augusto Pereira Desde 5 anos

    grande materia, estou a necessitar do vosso apoio

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