Mindfulness e liderança consciente

Por o 20 Novembro 2020

O mindfulness é uma técnica milenar de meditação com origem em países como a China ou a Índia, que se foca na atenção e na consciência.

É uma forma de prestar atenção ao momento presente e que, com uma gestão adequada, pode ultrapassar a esfera pessoal e proporcionar inúmeras vantagens no âmbito profissional. Uma filosofia que não pretende modificar o nosso ambiente (que, na maioria dos casos, se carateriza por ter inputs constantes), mas que incide na nossa atitude em relação ao que nos rodeia.

Manter a calma para analisar o que se passa à nossa volta, encontrar soluções tão construtivas quanto possível, diferenciar entre o que é urgente e o que é importante, e manter a perspetiva são atitudes que nos ajudarão a manter o stress e a impulsividade sob controlo e a proporcionar-nos um maior bem-estar. Analisar o que nos rodeia, procurando os prós e os contras, evitar precipitações e/ou automatização de processos e distanciar-se de elementos tóxicos ou dissonantes resultará, também, numa melhor capacidade de tomar decisões, seja a nível pessoal, profissional ou empresarial.

Inteligência emocional

Não é por acaso que já se renderam a esta disciplina milenar empresas como a NASA, Apple, Nike, Google, Procter and Gamble, General Mills, AOL ou Starbucks, num plano internacional, ou a Endesa, Repsol, Heineken, L’Oréal, Xerox, Sodexo e Mahou San Miguel, em Espanha. Todas estas empresas estão conscientes dos benefícios que o mindfulness traz à gestão de pessoas pelo simples facto de promover uma liderança consciente baseada na intenção, atenção e atitude daqueles que a praticam.

Em meados de 2017, Estrella Fernández, num artigo para a revista Business Review, referiu como o mindfulness afetou o desempenho, o bem-estar e as relações na organização. Neste artigo, Estrella Férnandez salientou que o mindfulness “melhora o desempenho na execução de tarefas, promove a motivação e energia, fomenta a criatividade e enriquece a tomada de decisões”. Além disso, refere ainda que “ajuda a reduzir o stress, aumenta a resiliência e as emoções positivas, e contribui para o trabalho de equipa e a gestão de conflitos”.

Novas conexões neuronais

Estrella Férnandez também revelou duas das possíveis razões que podem estar por detrás do crescente interesse do mundo empresarial pelo mindfulness. A primeira estava intimamente ligada ao “desafio para as organizações de encontrar formas de manter o equilíbrio, a concentração e a clareza num ambiente altamente exigente, incerto e em constante mudança”. A segunda estava relacionada com o “progresso científico e a investigação realizados na área da psicologia e neurociência”.

Em 2014, investigadores de Harvard demonstraram de que forma a meditação transforma o nosso cérebro ao promover novas conexões neurais. O estudo, realizado no Massachusetts General Hospital, envolveu a realização de ressonâncias magnéticas em 16 pessoas durante duas semanas. A informação essencial aqui é que estas pessoas realizavam diariamente 30 minutos de meditação, algo que se traduziu em mudanças na densidade do hipocampo dos seus cérebros, uma área que interfere significativamente nos processos de aprendizagem e na memória, e onde várias estruturas associadas à autoconsciência, compaixão e introspeção estão alojadas.

Cinco competências-chave relacionadas com mindfulness

A neurociência indica as cinco competências-chave que o líder pode incorporar progressivamente através da prática regular da meditação e que têm impacto direto na sua vida quotidiana, na capacidade de resolução, na gestão de equipas e na gestão de mudanças. São elas:

  1. concentração no que é importante — algo que nos permita contrariar o hábito de atuar o curto prazo, assim como trazer clareza à tomada de decisões;

  2. inteligência emocional — ao estarmos mais conscientes das nossas emoções e ao sermos capazes de as canalizar para um comportamento eficaz; demonstraremos maior empatia e tornar-nos-emos uma fonte de inspiração;

  3. visão estratégica — graças à clareza mental, o líder pode planear a longo prazo, bem como antecipar e tomar decisões mais produtivas;

  4. flexibilidade perante a mudança — graças a uma melhor capacidade de gerir a incerteza e de incluir elementos disruptivos, o que mantêm o líder afastado de práticas automatizadas e, por vezes, contraproducentes;

  5. criatividade e inovação ­­— ao diferenciar o ruído do que realmente importa, é possível encontrar novas abordagens e soluções para os desafios diários.

*Artigo originalmente publicado AQUI


Para saber mais sobre este tema, recomendamos a formação CEGOC Mindfulness: “alinhar” corpo, mente e emoções para enfrentar novos contextos

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