Os líderes introvertidos: um diamante em bruto

Por o 10 Fevereiro 2020

Embora a visão que possuímos de um líder seja geralmente a de uma pessoa carismática e extrovertida, personalidades mais tímidas como Albert Einstein, Mark Zuckerberg ou Bill Gates, demonstram-nos que um outro tipo de liderança é possível.

Quando um líder é extrovertido, este destaca-se acima dos demais, é sociável e expressa sem restrições tudo aquilo que pensa e sente. A sua personalidade arrebatadora torna-se muitas vezes o leme ao qual se agarram os restantes colaboradores, os quais seguem as pegadas daquele que lidera o grupo. O líder introvertido, por outro lado, é aquele que se destaca por ouvir mais do que aquilo que fala, por observar e analisar a situação, por dar destaque aos seus colaboradores e por praticar uma tomada de decisão calma e que tem em conta a opinião da equipa. Contudo…

– Pode ser a extroversão ou a introversão inata de uma pessoa aquilo que determina o quão bem-sucedida ela será como líder?

 

 

Líderes introvertidos

Autores como Adam Grant, Professor de Gestão na prestigiada Wharton School, Francesca Gino, da Harvard Business School, e David Hofmann, da Kenan-Flager Business School, na Universidade da Carolina do Norte, abordaram este tema em 2010, através do estudo “Reversing the Extraverted Leadership Advantage: The Role of Employee Proactivity”, publicado no Academy of Management Journal. Neste estudo, os três autores determinaram que o sucesso de um líder não depende de quão extrovertido ou introvertido ele ou ela é, mas sim da atitude que ele ou ela procura nos seus colaboradores.

Por outras palavras, um líder extrovertido, auto-confiante e com ideias muito claras, não vai facilmente aceitar as sugestões do resto dos seus colaboradores, nem vai delegar neles qualquer uma das suas funções – o que poderá provocar algum atrito e acabar por desmotivar a equipa. Em contrapartida, um líder introvertido vai deixar que as ideias da equipa fluam, vai trabalhar com eles lado a lado sem sentir a necessidade de brilhar mais do que os outros, dando origem a soluções mais criativas e contextos onde todos contribuem e se sente mais valorizados e comprometidos com o trabalho. Neste contexto, se o colaborador tiver poder e permissão para ser mais proativo, todos acabam por ganhar.

 

Os líderes introvertidos como fonte de aprendizagem

A empatia é a outra grande virtude dos líderes introvertidos. Estes são capazes de escutar, de se colocar no lugar do outro, de cooperar e de aprender com cada um dos desafios, contextos e colaboradores com os quais têm a oportunidade de trabalhar. Isto, juntamente com a sua capacidade de reflexão, torna-os verdadeiramente inspiradores para o resto da equipa.

Outra autora que abordou este tipo de liderança foi a oradora e coach Jennifer Khanweiler, no seu livro “The Introverted Leader: Building on Your Quiet Strength”. Nele, a autora identificou cinco competência-chave que permitem à pessoa introvertida liderar com sucesso:

1 – Pensar antes de agir;
2 – Envolver-se profundamente em poucos tópicos ao invés de tentar abarcar tudo;
3 – Transmitir calma;
4 – Preferir falar e interagir com os seus colaboradores em vez de publicar nas redes sociais;
5 – Aproveitar a solidão, a clareza e a coerência para construir um vínculo de confiança com o resto da equipa.

Inspirado nestas cinco competências, diria que pratica uma liderança introvertida?

 

*Este artigo foi publicado originalmente AQUI.

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