De que é feito uma boa conversa? – Parte II

Por o 2 Agosto 2018

Chamamos conversa pública ao ato de conversar com outra pessoa. Adoptamos a designação “privada”, quando essa conversa é feita connosco mesmo, no ambiente privado da nossa mente (tema da nossa anterior “pedrada no charco”).


 

 

Todas as conversas (públicas) são feitas das mesmas 3 coisas; fala, escuta e silêncio.

 

Rafael Echeverría, num dos seus livros, lança a ideia de que podemos avaliar a qualidade de uma relação, pela qualidade da escuta que essa relação produz. Proponho que o mesmo também é válido para uma conversa, se considerarmos para isso, a qualidade do silêncio que a conversa produz, enquanto indicador da sua própria qualidade.

 

Tratemos agora da fala e da escuta e deixemos o silêncio para o fim.

 

No actividade de treino e formação profissional, levámos décadas a ensinar as pessoas (principalmente líderes) a falarem para que assim pudessem expandir as suas capacidades de comunicação e influência. Começamos agora a perceber que é mais sensato investir no desenvolvimento da sua escuta, para que esses mesmo objetivos se concretizem.

 

Em termos de desenvolvimento da capacidade de comunicar, uma das sugestões mais poderosas que me fizeram foi a da “renúncia à eloquência”. Permitam-me uma breve exploração a este tema…

 

Vivemos em mundos interpretativos, já antes o defendi. Objetivamente, não sabemos como as coisas são, apenas como as vemos (no sentido lacto e interpretativo do termo) e, se soubermos comunicar, principalmente escutar, acabamos por perceber também como os outros as veem. Este talvez seja o caminho mais curto para a sabedoria.

 

Quando conversamos, convidamos os outros a virem ao nosso mundo através da fala e aceitamos o convite dos outros, para entrarmos no seu mundo, através da escuta. É disto que trata uma boa conversa: uma partilha, entre aquilo que percebemos e o que percebem os outros. Uma dança, entre a escuta e a fala.

 

A eloquência, enquanto arte de bem falar, distrai-nos do que é importante que é a aproximação ao outro e ao seu mundo; do que percebe de si, do que se apercebe do mundo e do que acredita, em si, acerca do seu potencial para intervir nestas duas dimensões (o mundo interior e o exterior). A eloquência, ou até mesmo a procura dela, centra-nos na arte de “vendermos” o nosso mundo aos outros em vez de nos ajudar a perceber o que se passa no mundo dos outros. Centramo-nos apenas em um, em nós, em vez de nos abrirmos a incomensurável sabedoria que existe nos muitos outros.

 

Por outro lado, a eloquência pode muito facilmente degenerar em vaidade e aprisionar-nos no mesquinho mundo “do nosso umbigo” (nada inebria mais do que o poder de influenciar os outros), impedindo-nos, assim, de nos tornarmos sábios na conquista da revelação do mundo, que é sempre interpretativo e está, por isso, sempre nos outros.

 

Quanto ao silêncio, é o que fica entre os intervalos da escuta e da fala. É no espaço que medeia a escuta e a fala que os seus interlocutores se apreciam e respeitam, que reflectem sobre o impacto do que escutam e que criam novas e criativas formas de pensar, sentir e, consequentemente, de agir.

 

Que o silêncio das nossas conversas nos ajude a agir refletida e consequentemente.

Para saber mais sobre este tema, recomendamos a formação CEGOC Programa de formação de Coaches profissionais - Nível Inicial

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