De que é feito uma conversa?

Por o 4 Julho 2018

Em coaching distinguimos conversas privadas de conversas públicas. Na próxima “Pedrada no Charco” privilegiaremos o tema das “conversas públicas”, concentremos agora, estes 2 minutos de leitura, principalmente, no domínio das “privadas”.

 

Usamos o termo conversas privadas para nos referirmos aquelas que mantemos connosco mesmos e que, no senso comum, se costuma chamar de pensamento. As públicas, obviamente, quando partilhamos o nosso pensamento com outra pessoa, e ela os seus connosco.
Todo o pensamento que não está associado aos cinco sentidos (tema abordado anteriormente) é processado através da linguagem; neste sentido, a conversa é, essencialmente, linguagem. Usamos a linguagem para atribuirmos sentido ao mundo e também para intervirmos nele, coordenando ações com os outros, e connosco mesmos, e fazemo-lo com tal destreza que nenhum outro ser senciente se equipara.

 

Diferentes estudos parecem apontar para conclusões muito semelhantes acerca do que é composta a linguagem. Parece que todas as línguas e dialectos da humanidade são compostos por apenas 4 constituintes básicos ou “atos da linguagem”;

 

  1. Pedidos
  2. Ofertas
  3. Afirmações
  4. Declarações

 

E parece que não há mais nada.

 

Os Pedidos e as Ofertas são atos linguísticos que nos permitem coordenar ações, com os outros ou connosco mesmos. Pedimos, esperando que o nosso pedido seja correspondido ou oferecemos, esperando que o nosso convite seja aceite. Se a resposta for favorável, dizemos que existe então um compromisso.

 

NasAfirmações, referimo-nos a factos, através de distinções linguísticas que nos permitem chamar nomes às coisas. Sempre que proferimos uma afirmação, comprometemo-nos publicamente com a sua veracidade e, claro, com a sua relevância.

 

Rafael Echeverría, no seu livro “Ontologia del Lenguage”, propõe uma distinção surpreendente para distinguir afirmações de declarações. Assim, diz ele, quando afirmamos, manda o mundo, quando declaramos, mandamos nós.

 

Quando fazemos uma afirmação referimo-nos a algo que já está criado e para o qual o “mundo” já inventou um nome, somos nós que nos adaptamos ao mundo. Pelo contrário, quando declaramos, mudamos nós o mundo, propomos nós mudanças ao mundo e, se tivermos poder para isso, é o mundo que se adapta a nós.

 

Normalmente, quando declaramos, movemos no domínio temporal do passado e do presente. Por exemplo, “ontem às 1700h choveu em Lisboa”, “o meu carro é preto” ou “a taxa de inflação em Portugal em 2016 foi de 0,6%, de acordo com a avaliação do INE”.

 

Porém, quando emitimos uma declaração, fazemo-lo normalmente (ou deveríamos fazê-lo) com os olhos postos no futuro. Por exemplo, quando dizemos “sim” ou “não”, “desculpa”, “perdoo-te” ou “amo-te”, para nomear algumas das mais importantes declarações emitidas pelos humanos, ou simplesmente “a partir de amanhã, vou começar a fazer caminhadas todos os sábados de manhã”.

 

Uma declaração nunca é verdadeira nem falsa mas nem por isso nos comprometem menos que as afirmações. Quem emite uma declaração compromete-se com a sua validade ou, de outra maneira, com a autoridade e o poder necessários para a tornar válida.

 

Raramente estamos conscientes que sempre existe uma conversa privada a ocorrer em simultâneo a uma conversa pública. Sempre pensamos quando conversamos com alguém. Há sempre uma conversa privada que nos percorre quando conversamos com os outros: chamamos-lhe “coluna esquerda”.

 

Quando duas pessoas conversam há sempre 3 conversas a ocorrer em simultâneo. Uma pública e duas privadas. E, naquilo que acaba por ser o desígnio no mundo, as conversas de coluna esquerda (ou privadas) parecem ser bem mais determinantes: acabamos sempre por fazer aquilo que dizemos para connosco mesmos.

 

É por isso que em coaching costumamos dizer, escutar ativamente tem a ver com a nossa capacidade para nos concentrarmos totalmente naquilo que o cliente diz e,sobretudo, no que não diz.

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Lucas Fernando Desde 2 anos

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    Paulo Martins

    Paulo Martins Desde 2 anos

    Obrigado

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Maria Helena Oliveirac Desde 2 anos

cg.mariahelena@revigres.pt

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Rayane Marques Desde 6 meses

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