As Competências Nucleares da ICF: Comunicação Direta (1/2)

Por o 15 Abril 2016

Sobre o tema das competências nucleares de coaching, da International Coaching Federation, retomemos a nossa partilha com a competência 7 “Comunicação Direta”.


As Competências Nucleares da ICF: Comunicação Direta

 

Ainda sobre o tema das competências nucleares de coaching, da International Coaching Federation, retomemos a nossa partilha com a competência 7 “Comunicação Direta”, a última do grupo “C – Comunicar Eficazmente”.

 

 

Definição da Competência  “Comunicação Direta” pela ICF

A ICF define esta competência como “capacidade de comunicar eficazmente durante as sessões de coaching, bem como de utilizar a linguagem que tiver o maior impacto positivo no cliente”. Isto é:

  1. Ser claro, articulado e direto ao compartilhar e fornecer feedback,
  2. Reformular e articular para ajudar o cliente a compreender, a partir de outras perspectivas, o que quer ou sobre o que está incerto,
  3. Definir claramente os objetivos, a programação das sessões e o propósito das técnicas ou exercícios de coaching,
  4. Utilizar uma linguagem apropriada e respeitosa para com o cliente (ex, não-machista, não-racista, não-técnica, sem jargões),
  5. Usar metáforas ou analogias para ajudar a ilustrar uma ideia ou para criar imagens verbais.

 

Os 6 novos marcadores da ICF

Acrescento, antes de partilhar o que “me corre” em pensamento, os 6 novos marcadores da ICF que, nesta competência, evidenciam efetividade em coaching, para o nível PCC (Professional Certified Coach):

  • Marcador 1 – O coach partilha as suas observações, intuições, comentários, pensamentos e sentimentos para servir a aprendizagem do cliente e o seu avanço.
  • Marcador 2 – O coach partilha as suas observações, intuições, comentários, pensamentos e sentimentos sem qualquer apego acerca de estarem ou não certos.
  • Marcador 3 – O coach incorpora ou usa a linguagem do cliente que reflete a forma do cliente falar.
  • Marcador 4 – O coach usa uma linguagem direta, clara e concisa.
  • Marcador 5 – O coach permite que o cliente fale na maioria do tempo.
  • Marcador 6 – O coach permite que o cliente fale sem interrupções, a não ser que tal tenha sido declarado.

 

Passo agora em nota rápida, sobre o cuidado, aqui implicitamente sugerido, que um “Coach ICF” deve ter para garantir um ambiente de comunicação efetivo, solto e que permita a total expressão do cliente. Esse cuidado deve ser evidenciado, quer ao nível da dinâmica da comunicação e da relação que é estabelecida entre ambos, quer ao nível da incorporação do estilo de comunicação do cliente no seu próprio estilo ou forma de comunicar. Por outras palavras, esta competência encoraja o coach a, tornar seu, o estilo de comunicação do cliente.

E centro as minhas considerações sobre esta competência, num dos seus aspetos mais curiosos e que parece “assustar” muitos coaches: aquele que contempla, em coaching, a partilha das observações, intuições, comentários, pensamentos e sentimentos do coach, com o coachee.

 

Distinções entre o coaching e o mentoring

Uma das mais importantes distinções entre o coaching e o mentoring é precisamente a passagem de conhecimento e experiência do coach/mentor para o coachee/mentee e que, supostamente, no caso do coaching, parece que deverá ser inexistente ou residual. Philippe Rosinsky, MCC, no seu livro “Coaching Across Cultures” refere que “… os coaches, ouvem, fazem perguntas e criam as condições necessárias para que os coachees descubram por si próprios o que é melhor para eles. Os mentores falam acerca da sua própria experiência, assumindo que ela é relevante para os mentees.”

Na forma como entendo as competências ICF, não deverá existir, em coaching, passagem de conhecimento ou experiência do coach para o coachee, o que não quer dizer que o coach não deva partilhar, com o seu coachee, as suas observações, intuições, comentários, pensamentos e sentimentos. Muito pelo contrário, gosto de declarar que, estando o coach estabelecido em escuta ativa, tudo o que “lhe chegar”, em pensamento, não dele, é do coachee. Se o coach tiver a percepção de que a informação que lhe corre em pensamento poderá ser útil para o seu cliente, em coaching profissional, está comprometido em “devolvê-la”. A César o que é de César!

O que possibilita esta partilha em coaching e distingue estes dois posicionamentos (coach vs mentor) é o conceito de ”apego”.

 

Num próximo texto darei continuidade a este tema. Entretanto, surge-lhe algum comentário ou questão sobre a interpretação desta competência?

Para saber mais sobre este tema, recomendamos a formação CEGOC Programa de formação de Coaches profissionais - Nível Inicial

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