As Competências Nucleares da ICF – Indagar Poderamente

Por o 5 Fevereiro 2016

Retomemos o tema das competências nucleares de coaching, da International Coaching Federation, e concentremo-nos na competência 6 “Indagar Poderosamente. Sobre esta, três temas me ocorrem imediatamente para reflexão: 1) Perguntas poderosas Vs Perguntar poderosamente, 2) As perguntas e a sua influência sobre o que pensamos e 3) A relação entre as perguntas e a qualidade da escuta.


As Competências Nucleares da ICF – Indagar Poderamente

 

Retomemos o tema das competências nucleares de coaching, da International Coaching Federation, e concentremo-nos na competência 6 “Indagar Poderosamente”, pertencente ao grupo “C – Comunicar Eficazmente”, usando este espaço para refletir livremente sobre ela.

 

 

Definição da competência “Indagar Poderosamente”

A ICF define esta competência como “a capacidade para fazer perguntas que revelem informações necessárias para o máximo benefício do cliente e da relação de coaching”. Isto é:

  1. Fazer perguntas que reflitam escuta ativa e compreensão da perspectiva do cliente,
  2. Fazer perguntas que evoquem descoberta, insight, compromisso ou ação (ex, todas aquelas que desafiem os pressupostos do coachee),
  3. Fazer perguntas abertas que criem maior clareza, possibilidade ou novas aprendizagens,
  4. Fazer perguntas que façam o cliente avançar em direção ao que deseja, não que o convide a justificar-se ou a olhar para trás.

 

Sobre esta competência, três temas me ocorrem imediatamente: 1) Perguntas poderosas Vs Perguntar poderosamente, 2) As perguntas e a sua influência sobre o que pensamos e 3) A relação entre as perguntas e a qualidade da escuta.

 

1. Perguntas poderosas Vs Perguntar poderosamente

Acerca do primeiro tema, tomo consciência da frequência com que reparo no uso da expressão “perguntas poderosas” quando apenas reconheço como poderoso, para o coaching, o conceito de “perguntar poderosamente”. O que faz com que uma pergunta seja “poderosa” em coaching é o contexto em que ela é utilizada, apenas. Toda e qualquer pergunta que “se apresente como poderosa”, sem inclusão de elementos que considerem o coachee ou o contexto da sua utilização, é garantido que não o é.

 

Uma pergunta, para ter um resultado poderoso:

  • Tem de resultar da escuta do coach. Não pode ter origem num livro ou manual sobre coaching.
  • Tem de ser aberta ou exploratória. Deve expandir a atual forma de pensar do coachee e não apresentar nenhum elemento que forneça direção ou interpretação.
  • Tem de ser dirigida para o futuro. Deve dirigir a atenção do coachee para aquilo que ele deseja criar e para a ação consequente.
  • Deve ser enriquecedora e inspiradora para o coachee. Só o/a cliente a pode realmente avaliar/revelar como poderosa ou não.
  • Tem de ter um silêncio antes e depois. Antes, porque não pode interromper o coachee e tem de se harmonizar com o seu ritmo de discurso interno/externo. Depois, porque necessita de reflexão para ser respondida; se não houver silêncio é porque não é nova, é porque o coachee já a respondeu, em conversa ou em pensamento, várias vezes com certeza.

 

2. As perguntas e a sua influência sobre o que pensamos

Sobre o segundo tema “As perguntas e a sua influência sobre o que pensamos”, guardodentro de mim, com muita utilidade para a minha prática de coaching, a ideia de que “por detrás” de cada maneira de pensar ou narrativa de vida, há uma pergunta. A título de exemplo (perdoem-me a simplicidade), quem gasta o seu tempo a falar dos erros dos outros, estará porventura a responder a uma pergunta do tipo “o que fizeram de mal, estas pessoas?” ou mesmo “o que está mal no mundo?”. Outro seria o discurso, ou a forma de pensar, se a pergunta fosse “o que tem a vida de mais interessante para oferecer?”

 

Será que cada emoção tem por detrás uma pergunta?

Qual a pergunta da alegria? “o que será que tem o mundo de agradável?” ou “do que valerá a pena aproximar-me?” ou “o que terá isto de divertido?

E a tristeza? “Do que tenho eu saudades?” ou “o que ainda não consigo aceitar?”.

E a ira? “Como afasto isto de mim?” ou “como te destruo?

Acerca do coaching e dos pensamentos que percorrem a mente do coach quando escuta, quais serão as perguntas que lhe interessam?

Utilizando esta proposta inspiradora (a de que poderá existir uma pergunta “por detrás” da nossa forma de pensar), gosto de me preparar, antes de fazer coaching, para estar “debaixo” da influência de 4 grandes perguntas quando escuto. São elas que guiam as perguntas que faço em coaching, são elas que têm potencial para tornar poderosa a minha indagação:

  1. Como posso resumir o que ouço, na sua forma mais simples?
  2. Que ações serão possíveis, ao meu coachee, a partir do que me conta?
  3. Quem está ele/a a ser?
  4. Em que, de mais grandioso, pode vir a tornar-se?

 

A relação entre as perguntas e a qualidade da escuta

Finalmente, sobre o tema 3 e a jeito de resumo, considero que a forma mais eficaz de tornarmos a nossa indagação realmente poderosa é de concentrarmos a nossa atenção na escuta ativa, a mais importante competência em termos de comunicação humana, como defendi num artigo anterior. É sempre da escuta que as perguntas poderosas vêm.

 

Aproveito para adicionar a esta nossa reflexão, os 7 novos marcadores da ICF que, nesta competência, evidenciam efetividade em coaching, para o nível PCC (Professional Certified Coach):

 

  1. Marcador 1 – O coach faz perguntas acerca do cliente; da sua forma de pensar, das suas suposições, crenças, valores, necessidades, desejos, etc.
  2. Marcador 2 – As perguntas do coach ajudam o cliente a explorar para além de sua maneira habitual de pensar, permitindo-lhe aceder a novas e expandidas formas de pensar acerca de si mesmo.
  3. Marcador 3 – As perguntas do coach ajudam o cliente a explorar para além de sua maneira habitual de pensar, permitindo-lhe aceder a novas e expandidas formas de pensar acerca de situação em que se encontra.
  4. Marcador 4 – As perguntas do coach ajudam o cliente a explorar para além de sua maneira habitual de pensar, aproximando-o dos resultados que deseja.
  5. Marcador 5 – O coach faz perguntas claras, diretas, principalmente abertas, uma de cada vez, num ritmo que permite que o cliente pense e reflicta sobre elas.
  6. Marcador 6 – O coach, ao fazer perguntas, usa a linguagem do cliente, bem como elementos associados ao seu estilo de aprendizagem e aos seus quadros do referência individual.
  7. Marcador 7 – As perguntas do coach não fornecem orientação, ou seja, não contêm uma conclusão ou direção.

 

Grato pela sua atenção!

Para saber mais sobre este tema, recomendamos a formação CEGOC Programa de formação de Coaches profissionais - Nível Inicial

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Helder Martins Desde 5 anos

Paulo, ideias inusitadas a horas inusitadas… Achei mto interessante esta abordagem. Como Economista de formação, marketeer de experiência passada e consultor e formador nos ultimos 10 anos, tenho aprofundado – pessoal e profissionalmente – os territórios onde este tema se espraia. E, como referes, a Escuta Ativa é com efeito, um instrumento fabuloso para “mexer” dentro dos outros, para agir no sentido de desencadear a “provocabilidade” de alterações de pensamento e de ação. E isso é-me extremamente sedutor, pois lido muito c/ equipes comerciais em que a mudança de comportamentos face aos desafios de mercado é a pedra de toque. “I’m loving it…” (passo a PUB…) Helder M

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